segunda-feira, 8 de setembro de 2014




 A secção dos estragos da técnica da BOESG apresenta:

 "NO GAZARAN!"(Doc:90m)

França, 2011: após uma série de negócios escuros, o governo emite licenças
para a exploração de gás de xisto. No país eclode uma vaga de protestos que
agitam toda a europa. A força da contestação faz recuar a indústria do
petróleo.

A França torna-se o primeiro país a banir a fracturação hidráulica.
Uma luta de poderes instala-se enquanto a indústria retalia.


nota: legendas em inglês 
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sábado, 14 de junho de 2014





 
A secção dos estragos da civilização & os meios para os ultrapassar apresenta
o documentário *The Amazon code*, sendo o ponto de partida do Ciclo docboesg.
  Uma língua que pode ser falada, murmurada ou assobiada? Uma língua sem
palavras para cores, números, passado ou futuro? O professor linguista
Daniel Everett afirma que a linguagem do povo Piraha da Amazónia é
exactamente assim. Há mais de 30 anos, ele viajou como missionário para a
floresta da Amazónia com o intuito de converter a tribo, mas acabou sendo
ele próprio o convertido. A sua forma de vida e a sua forma única de
comunicação mudaram profundamente Everett e inspiraram uma nova vertente
teórica que pode abalar as actuais teorias de linguistas como Noam Chomsky.
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BOESG | Rua das Janelas Verdes
n.º 13, 1.º esq. (Santos) Lisboa
http://boesg.blogspot.pt/
boesgbiblioteca@gmail.com

sábado, 31 de maio de 2014


Celebração do bicentenário do nascimento de Mikhail Bakunine. 29 de Maio








Considerado um dos pais fundadores do anarquismo, Mikhail Bakunine (1814 – 1876) foi um revolucionário que conjugou sempre a faculdade de pensar à necessidade de acção.
Envolvido em praticamente todas as revoltas populares do seu tempo, o “perfume da pólvora 
e das barricadas” acompanhou-o ao longo da vida.
Como teórico, os seus escritos tornaram-se uma referência na luta contra o Estado, o Capital
e a Religião.
A BOESG junta-se às inúmeras celebrações que irão ocorrer ao longo de 2014 – ano do bicentenário – com um evento no dia do seu nascimento. Conversa à volta da sua vida, leituras de algumas passagens dos seus textos, petiscos e licores vários, envolvidos em música.
Aparece e divulga!

terça-feira, 20 de maio de 2014





Livro do mês - "A contínua atracção do nacionalismo." de Fredy Perlman

A crise económica do final da década passada libertou, mais uma vez, o espectro do nacionalismo.
Ele reapareceu em força em vários países europeus através de representantes e movimentos 
políticos de várias tendências que prometiam lutar contra os efeitos da liberalização dos mercados.
O nacionalismo aparece sempre como arma de unidade identitária e é sob a sombra de uma 
bandeira nacional que as pessoas se tendem a unir numa causa comum. Esse fenómeno foi 
descrito por Fredy Perlman em “A contínua atracção do nacionalismo”, fazendo uma análise 
histórica sobre como o nacionalismo, sob falsos pretextos identitários e promessas revolucionárias, 
foi sempre um motor histórico do capitalismo, trazendo às costas uma enorme bagagem de atrocidades. 
E é partir dele que pretendemos gerar um debate crítico sobre o nacionalismo.

segunda-feira, 21 de abril de 2014



Portugal: a revolução impossível

“Personagens e acontecimentos empurram-se literalmente uns aos outros para fora das páginas. As imagens ficam, desordenadas, como um arrebol. A intoxicação e a euforia das primeiras semanas. A política na primeira pessoa. As multidões nas ruas. Civis escalando tanques e carros blindados. A atmosfera dos grandes dias: o 1º de Maio e o 28 de Setembro de 1974; o 11 de Março de 1975. Greves e ocupações. As declarações de pessoas em luta amarga na sua ansiedade pelas coisas fundamentais pareciam um eco do trovão do Manifesto Comunista. Os estivadores de Lisboa falando de uma “total remodelação da sociedade”, de uma luta que teria de ser travada “fora dos sindicatos”, dado o total envolvimento desses organismos nas iniquidades do anterior regime. A poesia pura de alguns documentos de trabalhadores agrícolas perguntando o que vai acontecer “agora que acabou o tempo da sementeira e as azeitonas foram apanhadas”. As comissões de rendeiros. A luta não recuperável dos que estão mesmo fundo da escala social, os moradores dos bairros de lata, em nome dos quais ninguém teve a audácia de proclamar que falava. Motoristas de táxis querendo que o Instituto de Reorganização Agrária ocupasse os táxis que conduziam. A Revolução criando os seus próprios precedentes surrealistas. O Segundo Congresso dos Conselhos, no Instituto Superior Técnico de Lisboa, encerrando com os leninistas modernos a sonhar com Smolny e Putilov, por entre o equipamento da televisão moderna. Turistas revolucionários e os seus problemas. Militares convidando civis para o Quartel do RASP para uma semana de festa, canções e orgia… de discussões políticas. As aparentemente intermináveis dores de parto que só deram origem a um nado-morto. 

Algumas lições se podem tirar da experiência portuguesa , lições que ultrapassam fronteiras de Portugal. A principal, creio eu, é que nas futuras revoltas os revolucionários tradicionais demonstrarão fazer “parte do problema e não parte da solução”.

É o risco de sublevações radicais genuínas serem desviadas para vias de capitalismo de estado. É o perigo de que qualquer nova criação (no domínio das ideias, relações ou instituições) seja imediatamente agarrada, penetrada, colonizada, manipulada – e finalmente deformada – por hordas de “revolucionários  profissionais” sedentos de poder, parteiras do capitalismo de estado e muito mais perigosos porque envoltos na bandeira vermelha.

Porque é que o processo revolucionário não se desenvolveu mais Portugal? Surge uma importante revolução social quando um grande número de pessoas procura uma modificação total das condições da sua existência.
Grandes pressões se tinham formado dentro de Portugal salazarista. Mas os objectivos dessas oposições à velha sociedade eram díspares."

terça-feira, 15 de abril de 2014

 
 
 Caros companheiros,


A BOESG (Biblioteca dos Operários e Empregados da Sociedade Geral) é uma
antiga biblioteca operária fundada no dia 1 de Janeiro de 1947, localizada
na Rua das Janelas Verdes em Lisboa desde 1960. Com o passar dos anos, a
BOESG foi acumulando um acervo riquíssimo de cerca de 6 mil livros, quer na
área da literatura, quer em muitas outras áreas do saber.


Actualmente, a BOESG assume um novo projecto, como Biblioteca Observatório
dos Estragos da Sociedade Globalizada, mantendo o incentivo à leitura e ao
conhecimento que a caracterizava, mas juntando a observação e a acção sobre
a alienação política, económica e técnica. Organizado o acervo por secções,
com o propósito de o catalogar e estudar, procura-se sempre uma ligação
entre as secções e os referidos objectivos, através da obtenção de livros
novos, debates e conversas à volta de um tema ou de um livro, lançamento ou
mesmo edição de livros ou brochuras, realização de oficinas, ciclos de
cinema, feiras, etc.


Mas todo este trabalho poderá ser posto em causa. Os estragos da nova lei
do arrendamento chegaram à BOESG. A biblioteca recebeu uma notificação do
Ministério da Justiça informando que, ao abrigo do novo regime de
arrendamento, o senhorio reivindica o aumento da renda da BOESG dos actuais
81 euros para 706,61 euros. Como é evidente, trata-se de um aumento brutal
que inviabiliza a continuação das actividades da biblioteca. Já estamos em
contacto com um advogado para definirmos como deveremos proceder e estamos
a recolher informação de várias origens para melhor podermos decidir o que
fazer. Contudo, uma coisa é certa: qualquer recurso judicial acarreta
custos avultados.


Como é que os vários espaços, colectivos, pessoas nos podem ajudar? De
várias maneiras: dando informação de situações deste género com outras
colectividades e enviando-a para o e-mail da Biblioteca (
boesgbiblioteca@gmail.com <http://www.blogger.com/>), seja divulgando ao
máximo a nossa situação, dentro e fora do estado português, e apelando à
ajuda financeira para despesas judiciais, seja, finalmente, com a
realização de jantares benefit a favor da BOESG.


A união das pessoas e colectivos que estão, ou podem vir a estar em risco,
pode ser a única resposta eficaz, numa luta que é principalmente contra a
lógica do capitalismo: o lucro dos proprietários está acima de tudo e é
mais importante do que os direitos básicos das famílias, do que o acesso a
espaços de convívio ou do que a existência de cultura. Acreditamos que,
com a mobilização de todos, seremos capazes de vencer esta luta pela
manutenção de um espaço com os objectivos e propósitos da BOESG.

Obrigado!

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BOESG | Rua das Janelas Verdes
n.º 13, 1.º esq. (Santos) Lisboa
http://boesg.blogspot.pt/
boesgbiblioteca@gmail.com
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quinta-feira, 27 de março de 2014




“Repressão e resistência. Reabilitação urbana, ocupações e o movimento anti-racista na cidade de Hamburgo.”

 Hamburgo é uma das cidades mais ricas da Alemanha. Mas Hamburgo também é uma das cidades que mais sofre crescentes tensões sociais e frequentes ataques às classes mais desfavorecidas economicamente.
 Actualmente, agravam-se vários conflictos, todos eles relacionados com a questão do direito à cidade em contradição ao desenvolvimento capitalista de cidade e com a política xenófoba do regime europeu de migração.
 Estes conflictos são: 
 1) A situação legal do Rote Flora (http://florableibt.blogsport.de/english/), um dos centros culturais autónomos mais antigos da Europa e ainda hoje em estado de ocupação.
 2) O acelerado processo de gentrificação (ou enobrecimento) de toda a cidade, processo que levou à expulsão de uma grande fatia da população pobre dos antigos bairros operários no centro da cidade, como St. Pauli, (onde se situa o Rote Flora), mas também a Reeperbahn (zona de bares, discotecas e da prostituição legal).
 3) A miséria de um grupo de imigrantes africanos (à semelhança de milhões que lidam com este regime em toda a Europa) que, vindo da Líbia, chegaram à união europeia (UE), passando pela ilha Lampedusa. (http://www.lampedusa-in-hamburg.tk/)
Public declaration march 2014: http://lampedusa-hamburg.info/en/
http://wiki.rechtaufstadt.net/index.php/Introduction_to_Recht_auf_Stadt_Hamburg

   Vamos discutir as experiências diferentes em Portugal e na Alemanha a analisar o que se pode aprender uns dos outros e como ganhar força (ou não) para um movimento anti-capitalista.
Debate e conversa com dois activistas de Hamburgo.


segunda-feira, 10 de março de 2014

ORGANIZAÇÃO CAPITALISTA DA CIDADE: Políticas de Revitalização do Centro de Lisboa versus Resiliência Social e Organização Comunitária no Centro e Periferia Urbanos.
As chamadas "Políticas Públicas de Revitalização Urbana" tornam-se cada vez mais visíveis em toda a cidade, de bairro para bairro, de quarteirão para quarteirão, de rua para rua... O argumento central – o de "revitalização" –  anunciado de antemão na própria nomeação destas políticas, é carregado de preconceito. O termo é sinónimo de "revivificar" o que significa "dar nova vida a", "tornar vital" ou “restituir a vida”, pressupondo que a existente não serve ou que algo está morto.No enquadramento capitalista uma cidade "viva" é aquela que (se) vende.
Adjacentes, são os argumentos de "inclusão social" e de "cidadania activa" propagandeados em campanhas políticas lançadas com slogans, tais como "Juntos fazemos Lisboa" ou "Obra a Obra, Lisboa melhora" – A questão é: Juntos, quem? Melhora em quê e para quê/ para quem? Que "social" é esse de que aqui se fala?
Lisboa melhora para o rico, para o turista e para o grande investidor. Torna-se elitista, sobe no "ranking" de competição global das cidades mais visitadas do mundo e ajusta-se na conjuntura do marketing internacional: por um lado, tornando-se um dos principais atractivos do mercado habitacional de luxo, por outro, um grande potencial de investimento hoteleiro e turístico.

Face aos actuais desafios que o contexto imposto pelo capital premeia, no qual o acto de fazer cidade é cada vez mais afastado daqueles que nela habitam, novas formas de pensar e exercer o direito à cidade ocupam lugar..